Machu Picchu

A cidade perdida dos incas

A famosa cidade passou séculos oculta nas montanhas, intacta e praticamente conservada pelo tempo. No verão de 1911, o arqueologista americano Hiram Bingham chegou ao Peru e a descobriu.
 
Quando se fala em viajar para o Peru, em qualquer circunstância, todos imediatamente se lembram de Machu Picchu, com seus mistérios, sua arquitetura e localização, que até hoje são temas de discussão entre historiadores e estudiosos do povo inca.
 
Cercada de histórias, lendas e acontecimentos marcantes, a cidadela tem, em cada um de seus pontos, traços de uma civilização que nem mesmo o tempo foi capaz de esquecer.

Templo do Sol
Uma das áreas mais sagradas e majestosas de Machu Picchu, o Templo do Sol era um local reservado, frequentado apenas pelos mais altos sacerdotes do povo inca. A construção semicircular e suas janelas trapezoidais eram palco dos cultos ao Deus Inti, o Deus Sol, e reservava um local onde múmias de nobres e reis eram veneradas.
 
O templo possui aberturas que iluminam altares apenas durante os solstícios de junho, e em razão de sua constituição sagrada, é considerado um dos locais de maior energia mística de Machu Picchu.
 
Uma caverna natural sob o templo, creem alguns, teria abrigado os restos mortais do lendário imperador Pachacuteq, uma das figuras mais sagradas da região até os dias de hoje.
 
Templo do Condor
Localizado na parte baixa da cidadela, o Templo do Condor é uma edificação coberta de rochas mais altas, que ficava próximo do setor urbano de Machu Picchu. A pedra que repousa no solo do local representa o corpo dessa ave, que além de ser a maior ave de rapina do mundo, com asas que podem alcançar até 3,2 metros de envergadura, possui uma importância ritual e essencial para populações indígenas da região até os dias de hoje.
 
Para os incas, o condor era responsável por conduzir as almas dos mortos até o céu, sendo uma verdadeira “ponte” entre as divindades e os seres humanos. Por isso, muitos param para meditar no perímetro do templo, em busca da xamânica “Visão do Condor”, uma viagem e experiência com o objetivo de elevar-se ao Hanan Pacha, o mundo dos espíritos em quéchua.
 
Templo das Três Janelas
Em uma das edificações mais altas da cidadela de Machu Picchu, uma parede ainda bem conservada exibe três enormes aberturas perfeitamente fendidas nos monólitos que o constituem – é o chamado Templo das Três Janelas.
 
As enormes aberturas, que fornecem uma incomparável visão das montanhas e de grande parte da cidade colina abaixo, teria sido um dos locais onde o lendário Pachacuteq realizava reuniões e momentos de contemplação com outros membros da nobreza inca.
 
O templo, juntamente com a área do Templo Principal e do chamado Intihuatana compõem o que o próprio Birgham (descobridor da cidade) chamou de “Praça Sagrada”. O historiador e arqueólogo acreditava que as janelas, que dão vista à cinco grandes montanhas, representavam as três cavernas das quais os irmãos Ayar, filhos do Sol, chegaram ao mundo.
 
Palácio da Princesa
Também conhecido como Palácio de “Ñusta”, abrigou, de acordo com historiadores, as virgens do império conhecidas e escolhidas como “princesas do Sol”, ou “ñustas”, logo após a invasão espanhola.
 
A teoria é aceita entre a comunidade científica, pois a maioria dos restos mortais encontrados nessa área de Machu Picchu pertencia a mulheres, em sua maioria jovens.
 
O edifício era um anexo do Templo do Sol e é uma das construções mais refinadas e bem trabalhadas de toda a cidadela – o que denota sua importância para os incas. Entretanto, não é descartada a hipótese de que a câmara, ao lado do templo, também tenha sido usada como uma antesala para abrigar jovens que eram sacrificadas – uma prática comum na civilização inca.
 
Cabana do Sentinela
Essa pequena cabana pode ser vista, ao topo de uma das colinas na extremidade da cidade, logo que o visitante passa pela entrada principal de Machu Picchu. Situada no topo de um morro que possui vários dos tradicionais ”degraus” em suas escarpas, a cabana fornece um ponto de vista privilegiado de toda a cidade – e por isso seria o local no qual sentinelas da cidade permaneciam, em vigília.
 
Eis uma das boas dicas de quem quer tirar boas fotos, de um ponto próximo, porém elevado.
 
Pedreira
Embora a construção de muitos dos monumentos da civilização inca tenha envolvido grandes esforços logísticos, uma vez que as obras eram erguidas com enormes megálitos (construção monumental com base em grandes blocos de pedras rudes) e rochas, Machu Picchu, ao contrário de muitas teorias que envolvem centenas de quilômetros de pedras transportadas e até alienígenas, possui sua própria pedreira.
 
Essa área da cidade ainda contém rochas nas quais é possível ver furos e lascas, que explicam e ilustram como eram os métodos de extração e corte de rochas, além da tecnologia inca de construção.
 
Intihuatana
Em uma pequena colina, num dos pontos mais altos dentro da cidadela de Machu Picchu, esse espaço foi utilizado na época dos incas, para uma série de importantes cerimônias. Ali, sacerdotes e místicos do império realizavam diversos ritos para impedir o desaparecimento do Sol.
 
O ponto alto dessa parte de Machu Picchu é a mística e poderosa pedra de Intihuatana – um pequeno monumento até hoje cultuado pela energia espiritual que carrega. A pedra é um grande monólito (estrutura geológica, como uma montanha, constituído por uma única e maciça pedra ou rocha), situada no terraço mais alto da cidade.
 
Sob o ponto de vista científico e arqueológico, o posicionamento da pedra demonstra o grande domínio da geometria e astronomia que os incas possuíam.
 
Praça Principal
A Praça Principal de Machu Picchu, uma grande área verde e plana no centro da cidadela, era o ponto de congregação de todo o povo e moradores da cidade, e usada para a realização de grandes eventos religiosos, envolvendo todas as esferas sociais.
 
Entretanto, a praça também separava áreas da cidade reservadas a diferentes classes sociais, mantendo a distância e a organização – os setores de Hanan (mais alto e de maior importância, com edificações mais imponentes) e de Hurin (zona mais baixa e mais popular da cidade na época dos incas).
 
Huayna Picchu ou Wayna Picchu
Ao norte de Machu Picchu, é possível ver pequenas construções no topo de uma montanha mais elevada – trata-se da montanha de Huayna Picchu, um maciço que eleva-se a cerca de 300 metros acima da cidadela principal e possui mais ruínas encravadas no topo de suas rochas.
 
A trilha estreita que leva à Huayna Picchu torna-se praticamente um conjunto de degraus, talhados no paredão vertical de rocha maciça, à medida que os visitantes sobem até o cume da montanha. É preciso fôlego para chegar a Huayna Picchu – a caminhada é íngreme e leva aproximadamente 45 minutos.
 
A subida se torna mais íngreme no topo da montanha, onde começam a surgir os enormes degraus das ruínas e construções situadas no cume principal. Da parte mais alta das ruínas, a vista de Machu Picchu, 300 metros abaixo, é inesquecível.
 
É possível ver a cidadela principal como em um sobrevoo de helicóptero, mas cuidado: a descida do cume pode ser traiçoeira, com alguns degraus tendo mais de 40 centímetros de altura, então vá passo a passo e sempre buscando apoiar-se nas pedras. Também é bom estar sempre acompanhado de um grupo razoável de pessoas, que possam prestar auxílio umas às outras.
 
Se você ainda tiver fôlego, não deixe de visitar o Templo da Lua, também chamado por alguns arqueólogos de “Gran Caverna”. Essa construção está na parte posterior da montanha de Huayna Picchu, do lado oposto ao cume principal.
 
A caminhada de ida e volta pode levar algumas horas, mas se houver tempo, a visita é bastante interessante.
 
Não há qualquer evidência de que a construção da enorme reentrância na montanha (as ruínas estão completamente incrustadas nas paredes da caverna) tenha realmente sido usada em cultos para a Lua, mas o nome foi escolhido pelo próprio descobridor de Machu Picchu, Hiran Bingham.

Confira nossas dicas pra que sua viagem seja ainda mais agradável:

  • Localização: Departamento de Ica. Província de Pisco, distrito de Paracas (ao nível do mar).
  • Extensão: 72.104 km²
  • Clima: Ensolarado
  • Temperatura média anual: Máxima de 21º C | Mínima de 6ºC
  • Altitude média: 2.453 msnm sobre o nível do mar
 
Machu Picchu está a 13º 9' 47" de latitude sul e 72º 32' 44" de longitude oeste, e a 2.400 metros de altitude, 130 km de Cusco.
 
De trem, fica a 4 horas de Cusco e a 1 hora e 45 minutos de Ollantaytambo.
 
Águas Calientes, uma cidade muito limpa e segura, encravada entre montanhas e composta basicamente de hotéis, restaurantes, pequenos mercados, feiras de joias e artesanato, é ideal para repousar no caminho para Machu Picchu.
 
  • A visita a Machu Picchu é um passeio de um dia inteiro, começando no trem ou na chegada pelas trilhas que cruzam região, e estendendo-se até o final da tarde. Ainda assim, é preciso boa organização – algumas caminhadas pelas trilhas que rodeiam as montanhas levam horas.
  • Prepare-se levando uma mochila com artigos básicos de higiene pessoal, protetor solar, repelente, mantimentos leves, como barras de cereais e muita água, principalmente se decidir subir até o pico da montanha de Huayna Picchu. Em épocas de mais calor, etambém é bom também levar uma roupa adicional, ou no mínimo, uma camiseta e meias limpas.
  • Não economize nos cliques! A imensidão de Machu Picchu e de suas montanhas oferecem infinitos ângulos inusitados para fotos de ótima qualidade. A vista do Vale do Urubamba, centenas de metros abaixo, também é um paisagem valiosa para suas fotos. As montanhas de Wayna Picchu e Machu Picchu são ideais para as fotografias panorâmicas de todo o complexo arquitetônico.
  • Tente aproveitar ao máximo os guias e especialistas que estiverem acompanhando o seu grupo. Eles conhecem bem as histórias e lendas locais e tornarão seu passeio muito mais rico!
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